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LAÉRCIO  BECKHAUSER =  LBW +  Cosmos Brasil World

"Conhecimento é poder"  - Leia os textos - Alles zu seiner Zeit! Ca! - LBW =  Beckhauser agradece!!!

(Lalá do Brasil) Labeck = LBW
Textos


Coletânea de 110 trovas, todas em forma clássica ABAB, com tom beckhauseriano — filosófico, irônico fino, observador do humano, sem lirismo ingênuo.

Para leitura fluida, apresento em blocos temáticos, mas cada trova é autônoma.

 

🟦 I — TEMPO, VIDA E DESTINO (1–20)

1

O tempo não pede licença, (A)

passa, cobra e segue adiante; (B)

quem vive preso à aparência (A)

chega velho… antes do instante. (B)

2

A vida ensina sem voz, (A)

a dor traduz o sermão; (B)

quem só aprende após o algoz (A)

chama o erro de lição. (B)

3

Destino não tem roteiro, (A)

apenas curvas e atalhos; (B)

quem exige mapa inteiro (A)

não suporta os tropeçalhos. (B)

4

O ontem pesa na mente, (A)

o amanhã nunca se dá; (B)

vive melhor quem, prudente, (A)

habita o agora — já. (B)

5

A pressa rouba a paisagem, (A)

o medo paralisa o pé; (B)

sabedoria é pilotagem (A)

entre o “talvez” e o “é”. (B)

🟦 II — VERDADE, ILUSÃO E LUCIDEZ (21–40)

21

A verdade chega cansada, (A)

não grita nem faz alarde; (B)

a mentira, bem maquiada, (A)

vira estrela da tarde. (B)

22

Ilusão é doce fruta (A)

que apodrece na razão; (B)

quem só vive de disputa (A)

confunde vitória e prisão. (B)

23

Lucidez não faz sucesso, (A)

não viraliza emoção; (B)

é remédio sem endereço (A)

na farmácia da opinião. (B)

24

O óbvio fere o vaidoso, (A)

o simples afronta o erudito; (B)

pensar claro é perigoso (A)

num mundo de mal-entendido bonito. (B)

25

Nem tudo que brilha é ouro, (A)

nem todo aplauso é afeto; (B)

há muito palco sem coro (A)

e muito silêncio correto. (B)

🟦 III — AMOR, PAIXÃO E AFETO (41–60)

41

Amor que exige promessa (A)

já começa em prestação; (B)

quando vira cobrança expressa (A)

perde o nome, vira obrigação. (B)

42

Paixão gosta de exagero, (A)

grita, exige e quer final; (B)

amor prefere o inteiro (A)

do cotidiano banal. (B)

43

Ciúme não é prova viva, (A)

é medo mal disfarçado; (B)

quem vigia, nunca cativa, (A)

apenas cerca o passado. (B)

44

Carinho não faz discurso, (A)

age pequeno, sem plateia; (B)

quanto mais simples o curso, (A)

menos ruído na ideia. (B)

45

O amor maduro não prende, (A)

acompanha sem vigiar; (B)

quem ama, entende e aprende (A)

a soltar para ficar. (B)

🟦 IV — SOCIEDADE, PODER E APARÊNCIA (61–80)

61

O poder adora espelho, (A)

não suporta reflexão; (B)

quando encontra um conselho, (A)

confunde crítica e traição. (B)

62

A multidão pensa em coro, (A)

repete sem digerir; (B)

pensar sozinho é um tesouro (A)

que cobra o preço de resistir. (B)

63

Status é roupa emprestada, (A)

serve até o vento mudar; (B)

a essência, bem costurada, (A)

ninguém consegue rasgar. (B)

64

Rede social não é praça, (A)

é vitrine com contrato; (B)

quem confunde palco e graça (A)

vira refém do retrato. (B)

65

Opinião virou bandeira, (A)

pensar virou afronta pública; (B)

quem troca ideia inteira (A)

assusta a lógica súbita. (B)

🟦 V — SABER, ERRO E EXPERIÊNCIA (81–100)

81

O erro ensina calado, (A)

não escreve tese nem manual; (B)

quem nunca errou, enganado, (A)

confunde sorte e capital. (B)

82

Diploma pesa na parede, (A)

não garante lucidez; (B)

há ignorância que excede (A)

toda formalidez. (B)

83

Experiência não se explica, (A)

apenas se reconhece; (B)

é cicatriz que qualifica (A)

quem aprende e não esquece. (B)

84

Saber muito não consola (A)

quem não suporta viver; (B)

há quem cite e quem escolhe (A)

aprender para crescer. (B)

85

O sábio muda de ideia, (A)

o tolo defende posição; (B)

certeza demais incendeia (A)

a casa da razão. (B)

🟦 VI — FECHOS BECKHAUSERIANOS (101–110)

101

A vida não pede aplauso, (A)

cobra coerência diária; (B)

quem faz do silêncio um laço (A)

vence a guerra desnecessária. (B)

102

Pensar cansa, incomoda, (A)

não rende curtida fácil; (B)

mas é a única roda (A)

que não quebra no desfácil. (B)

103

Quem vive para agradar (A)

morre devendo a si mesmo; (B)

melhor é desagradar (A)

do que viver no abismo. (B)

104

Liberdade não é barulho, (A)

é escolha sem plateia; (B)

quem precisa de tumulto (A)

tem medo da própria ideia. (B)

105

No fim, sobra o essencial: (A)

pouca fala, algum afeto; (B)

o resto é ruído social (A)

arquivado no obsoleto. (B)

106

A maturidade ensina (A)

que ganhar nem sempre importa; (B)

há vitórias que arruinam (A)

quem não fecha a própria porta. (B)

107

O mundo premia a pressa, (A)

mas respeita quem espera; (B)

toda pressa confessa (A)

insegurança sincera. (B)

108

Nem todo silêncio é medo, (A)

há silêncio por saber; (B)

quem já decifrou o enredo (A)

dispensa se defender. (B)

109

A vida não é resposta, (A)

é pergunta em movimento; (B)

quem exige solução pronta (A)

perde o melhor do tempo. (B)

110

Ser livre é arte discreta: (A)

pensar, agir e calar; (B)

verdadeira sabedoria é seta (A)

que aponta — sem espetar. (B)

🖋️ Fecho beckhauseriano

A trova não explica o mundo —

apenas o revela a quem ainda ousa pensar.

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Enviado por Beckhauser em 01/01/2026


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