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Textos


A MALA DE SONHOS DE 2026.

- Conjunto beckhauseriano — filosófico, satírico, levemente irônico e com a serenidade de quem já viu o giz, o silício e o algoritmo passarem pela mesma sala de aula.

 

CRÔNICA — A Mala de 2026

 

- Há uma mala no canto do quarto.

- Não é de couro antigo nem de rodinhas modernas.

- É simbólica.

- Carrega sonhos, dúvidas, remédios para pressão, livros não lidos e projetos que ainda insistem em nascer.

- Em janeiro de 2026 completo 7.7.

- Não é número: é patamar.

- Setenta e sete anos não são idade — são arquivo vivo.

- Fui alfabetizado no pó do giz, ensinado a respeitar o silêncio da lousa e a temer a caneta vermelha.

- Depois vieram os cartões perfurados, o modem chiando, a internet engatinha.ndo.

- Hoje, a Inteligência Artificial escreve melhor do que muitos humanos — e pensa mais rápido do que quase todos.

- A mala segue aberta.

- Quem fecha sonhos antes do tempo é a velhice — não a idade.

 

SÁTIRA —

- O Giz, o Mouse e o Oráculo Digital

O giz ensinava a errar em público.

O mouse ensinou a errar em silêncio.

- A IA ensina a errar com convicção estatística.

Antes, o professor sabia pouco, mas ensinava muito.

- Hoje, a máquina sabe tudo — e ensina conforme o contrato de uso.

- Perguntam quem comandará os humanos em 2049.

- Respondo:

ninguém com coração, poucos com consciência

e muitos com senha premium.

 

CONTO —

- O Homem que Sobreviveu a Três Eras.

- Ele nasceu analógico, amadureceu digital e envelheceu algorítmico.

Foi chamado de visionário, depois de obsoleto e, por fim, de referência histórica.

Quando perguntaram o que achava da IA no seu centenário, respondeu calmo:

— Ela calcula tudo. Eu continuo sentindo.

E ninguém soube como refutar.

 

ODE —

- Ao Tempo que Não Pede Permissão

 

- Ó Tempo,

que me ensinaste com giz

me testaste com silício

e agora me observas

dialogando com máquinas que fingem pensar.

Não me tornes prisioneiro do novo

nem refém do passado.

Concede-me apenas lucidez

e uma boa ironia para atravessar o futuro.

MINICORDEL — Do Giz ao Algoritmo

No quadro negro aprendi

que errar fazia parte,

hoje a IA me responde

sem saber o que é arte.

Se em 49 mandar robô

que ao menos seja gentil,

pois mando mal só quem esquece

que pensar não é ser sutil.

 

RESENHA —

- Humanidade, Edição Atualizada.

- A obra “Ser Humano” passou por várias edições.

A versão 1.0 era instinto.

A 2.0, razão.

A atual depende de atualização automática — às vezes sem consentimento.

Ponto forte: criatividade.

Ponto fraco: vaidade.

Risco futuro: terceirizar a consciência.

 

FÁBULA —

- O Sábio e a Máquina

A máquina perguntou ao sábio:

— Quem comandará os homens em 2049?

O sábio respondeu:

— Aqueles que ainda souberem dizer não.

A máquina travou por alguns segundos.

Nunca aprendera essa função.

 

CONCLUSÃO — Beckhauseriana

- Não temo o futuro.

Temo apenas que ele venha

sem filosofia,

sem humor

e sem humanos suficientemente humanos

para desconfiar das próprias criações.

 

FRASE FINAL

 

- A inteligência artificial evolui exponencialmente;

a sabedoria humana, quando muito, envelhece com dignidade —

e isso ainda nos salva.

— Laércio Beckhauser

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Enviado por Beckhauser em 30/12/2025


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