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Motores europeus e metáforas da Europa.
Editorial - A Europa que trocou motores por metáforas - A Europa acreditou que poderia sustentar o seu bem-estar substituindo produção por princípios e engenharia por retórica. - Durante décadas, construiu prosperidade fabricando aquilo que consumia; hoje, consome majoritariamente aquilo que deixou de produzir. - Quando a engenharia cede lugar ao discurso, o progresso torna-se uma abstração bem-intencionada. - Produzir passou a ser interpretado como sinal de atraso, enquanto importar foi elevado à categoria de virtude civilizatória. - O símbolo dessa transição não é tecnológico, mas económico: o Volkswagen Golf representava uma Europa industrial confiante; o Dacia Sandero reflete uma Europa que ajusta expectativas ao encolhimento do poder de compra. - No campo, tratores foram substituídos por relatórios; na indústria, fábricas deram lugar a centros de “inovação” que produzem apresentações, mas não bens estratégicos. - O resultado não foi apenas a perda de empregos ou de competitividade, mas o enfraquecimento da autonomia económica e da segurança produtiva. Enquanto o continente se concentrou em debates morais e metas simbólicas, outras regiões consolidaram cadeias produtivas, tecnologia e influência global. A dependência externa foi rebatizada de interdependência, como se a mudança de nome alterasse a realidade dos números. - A chamada transição verde trouxe avanços ambientais importantes, mas ignorou o impacto económico de desindustrializar sem alternativa viável. - Reduziram-se emissões; reduziram-se também salários, margem de decisão e soberania estratégica. - Empobrecer com convicção moral pode parecer politicamente elegante. Economicamente, porém, revela-se um caminho oneroso — e difícil de reverter. - Laércio Beckhauser - Escritor, ensaísta e cronista -"Joinville – SC - www.laerciobeckhauser.com - #lbw, #Beckhauser Beckhauser
Enviado por Beckhauser em 27/12/2025
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