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LAÉRCIO  BECKHAUSER =  LBW +  Cosmos Brasil World

"Conhecimento é poder"  - Leia os textos - Alles zu seiner Zeit! Ca! - LBW =  Beckhauser agradece!!!

(Lalá do Brasil) Labeck = LBW
Textos


AMOR da PRIMA

- Estrutura, enredo e espírito, com cadência oral, imagens catarinenses densas, rimas naturais e uma ironia beckhauseriana que ri com o leitor, não dele.

- Pense como um texto contado à mesa da Fenachopp, entre um gole e outro, quando a filosofia sai sem gravata.

 

1. CRÔNICA

 

O SILÊNCIO DA ESTRADA QUE FUI TOMAR

 

(Beckhauser aprova o chope da virada e pede mais espuma...)

 

- A tarde do casamento dos tios brilhava feito chope recém-puxado em Blumenau, com espuma alta e promessa de alegria.

- Mas meu peito, aos dezessete, trovejava como céu carregado sobre o Vale do Itajaí: bonito de longe, perigoso de dentro.

- Clara Larissa — cabelos castanhos em revoada de pavão e sorriso que apagava placas de rua — casava com meu amigo.

- E eu, feito barril rachado, vazava a verdade: três anos de amor escondido, encontros em silêncio, camisinha na carteira, pílula na bolsa, mas o coração… ah, esse não obedecia bula nem manual alemão.

- Contei aos tios.

Eles ouviram calados como alemães em missa de sétimo dia.

Só disseram:

— Silêncio, rapaz.

Depois, o pároco — desses que sabem mais da vida do que o catecismo — piscou com meio sorriso:

— Não és o único fisgado. A estrada é larga. Toma a próxima curva.

Tomei.

- Botei porta pra rua, mudei pra Joinville, deixei o passado jogado no chão como garrafa vazia da Fenachopp, sem briga nem brinde final.

- Hoje, vendo meus dois pivetes correndo pelo quintal e a mulher que divide comigo o pão, o leito e o silêncio bom da noite, entendo:

aquele silêncio da estrada foi o melhor baile que a vida tocou.

- O amor que jurei eterno era só o primeiro gole.

- O lar verdadeiro veio no barril seguinte.

 

2. CONTO

O PRIMEIRO AMOR E O VERDADEIRO LUGAR- Joinville.

- (Com tempero de linguiça, cuca e juízo tardio).

- No verão quente de 2018, João — dezessete anos, fogo no olhar e juízo em férias — descobriu que Clara Larissa, prima, vinte e um anos, noiva de seu amigo desde os quinze, era o amor da vida dele.

- Como se amor avisasse antes.

- Todo dia, na porta da faculdade de odontologia, João a esperava: conversa sussurrada, abraço em sombra de muro, cuidado dobrado — preservativo ou pílula, porque paixão pode ser cega, mas boletim de gravidez enxerga tudo.

- Na casa dos tios, sob sol de chumbo, João abriu o verbo.

- Eles ouviram sem grito, sem enxada, sem sermão:

— "Guarda segredo, menino", disseram.

- Na igreja de pedra, o pároco, experiente, foi direto como faca bem amolada:

— Outros também a desejam, João.

- Afasta-te.

- A vida não é novela das oito.

- João entendeu.

- Despediu-se de Clara.

- Pegou as trouxas.

- Rumou pra Joinville, onde o vento sopra diferente e o passado não pede satisfação.

- Três anos depois, casou com Mariana, gerou dois herdeiros, mesa farta, riso solto.

- E pensou, erguendo o copo:

o primeiro amor foi estrela-guia,

mas o verdadeiro lar é esse ninho —

sem segredo, só chope, pão e paz.

 

3. ODE

- AO CORAÇÃO QUE APRENDEU A VIRAR

(Rimada com cerveja e bom senso tardio).

 

- Ó coração jovem,

batendo feito tambor de Oktoberfest,

achando que amor é prisão eterna

com aliança no alvo e noivo no portão!

- Ó tios pacientes,

quietos como vaca ruminando sob araucária,

pedindo silêncio —

não por covardia, mas por sabedoria antiga.

- Ó pároco sagaz,

apontando estrada larga,

dizendo que amor não é o que o peito grita,

mas o que o tempo confirma.

- Bendito o coração que virou a página,

largou o espinho, encontrou o pão,

descobriu que lar não vive em beco escuro,

mas onde a alma dança no coreto da vida.

 

4. CORDEL

O AMOR QUE FOI E O QUE FICOU

(Com final de cuca quente e café passado)

- João tinha dezessete,

fogo solto no coração,

- Clara era noiva antiga,

confusão sem solução.

- Três anos de amor calado,

cuidado pra não dar fruto,

camisinha, pílula e medo

— paixão não escuta estatuto!

- Falou com tios, sol ardendo,

ouviram sem levantar voz:

— Silêncio, guri, a vida

fala depois por nós.

- O padre deu o recado,

sem rodeio nem oração:

— Afasta o pé, que a estrada

não termina nessa mão.

- João virou a esquina,

-'Joinville virou seu chão,

casou, teve dois filhos,

fez da paz sua profissão.

- O amor que foi tinha espinho,

o que ficou tem calor:

é cuca quente na mesa

e sossego no coração.

 

5. CONCLUSÃO

(Beckhauser ri por último, mas paga a rodada)

- A saga de João ensina:

o primeiro amor pode ser incêndio bonito, mas nem todo fogo vira lar.

- Às vezes, é preciso engolir o orgulho, ouvir o conselho teutão e virar a esquina da vida sem fazer escândalo.

- O segredo vira fumaça.

- O lar verdadeiro brota como enxame em flor de laranjeira:

aberto, doce, sem veneno.

-"A vida — essa velha beckhauseriana irônica e sábia —

não entrega o que o coração mira no impulso,

mas o que realmente cabe no peito.

 

6. FRASE-SÍNTESE

(Para quadro torto na parede de Pomerode)

- “O primeiro amor acendeu a fogueira;

a coragem de apagá-la me levou ao lar de chope eterno.”

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Enviado por Beckhauser em 25/12/2025


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