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(Lalá do Brasil) Labeck = LBW
Textos


Tempero beckhauseriano: ironia culta, sátira local, filosofia de boteco bem informado, leve sotaque catarinense e aquela lucidez que ri do próprio riso.

 

Versão melhorada, lapidada e autoral, sem perder a elegância do nonsense.

 

A BOLA ETERNA DE JOINVILLE

Fábula filosófica em quadra curta e pensamento longo

 

I — Fábula Humorística: Onde a Bola Nunca Dorme

 

- Era uma vez — como sempre é, porque no futsal nada começa de verdade — a Arena Jaraguá, esse anfiteatro circular do destino, onde homens adultos insistem em chutar uma bola laranja acreditando, sinceramente, que desta vez será diferente.

De um lado, o JEC, tricolor errante, herdeiro da esperança disciplinada.

Do outro, o Jaraguá, locomotiva amarela, rangendo história, apitando orgulho.

O JEC marcou primeiro com Neto, o Ex, porque no futebol — como na vida — todo ex reaparece com razão jurídica. A chamada Lei do Ex não é mística: é vingança bem escrita.

Mas o destino, esse árbitro que não explica critério, pediu um pênalti a Eka.

E Eka recusou.

Não por covardia — mas por filosofia.

Errou como quem diz: “não hoje, sentido da vida.”

Então vieram Pedrinho, Tatinho e Jamur, girando o placar como quem vira uma ampulheta. O tempo escorreu. A torcida gritou. O universo bocejou.

Prorrogação.

Zero a zero.

O nada absoluto.

Beckett aplaudiu de algum lugar inexistente.

Nos pênaltis, Robinho, veterano que já viu o absurdo antes de ele virar moda, bateu com a serenidade de quem cobra não um gol, mas uma conclusão provisória.

E Kleyton, 19 anos, goleiro ainda não totalmente ciente da tragédia humana, defendeu como só os jovens defendem: sem saber que não era possível.

O JEC ergueu a nona taça.

A bola rolou de novo.

Sempre rola.

Moral da fábula:

No futsal da existência, títulos são gols contra o esquecimento —

mas o esquecimento costuma empatar no jogo seguinte.

 

II — Resenha Crítica: Absurdo Tricolor na Arena do Nada

 

Esta final do Catarinense Série Ouro DE 2025 não foi uma decisão esportiva.

Foi um ensaio existencial com chuteiras.

Depois de um 5 a 0 na ida — essa vantagem que engana como promessa eleitoral — o JEC perdeu por 3 a 2 na volta, porque o futebol odeia narrativas fáceis. A prorrogação não resolveu nada, fiel à tradição do universo.

Nos pênaltis, venceu quem aceitou o absurdo.

Neto confirma a lei não escrita do futebol e da família: quem sai sempre volta sabendo mais.

Kleyton, 19 anos, defende Bruninho como se dissesse: “não li Sartre, mas hoje não entra.”

Robinho cobra o destino com o pé direito e a consciência tranquila de quem já discutiu com o acaso antes.

Jaraguá luta, pressiona, empurra — mas perde no agregado, esse conceito matemático que ninguém entende direito, tal qual a justiça poética da vida.

A temporada termina com nono título estadual, Copa Sul, Copa dos Campeões e passaporte para Supercopa e sonhos continentais.

Não é uma campanha: é uma ironia organizada.

Nota: 9/10 bolas rolando sem sentido aparente.

Desconto de um ponto porque o apito final insiste em fingir que encerra algo.

III — Conclusão: Da Taça ao Vazio (e de Volta)

Assim, Joinville não ergue apenas um troféu.

Ergue um espelho.

Nele se refletem:

jovens que ainda acreditam,

veteranos que já desconfiam,

torcedores que sabem que sofrer faz parte do pacote.

O JEC, campeão pela nona vez, prova que vencer é apenas uma pausa elegante entre dois empates cósmicos.

A glória dura menos que o replay.

Mas dura o suficiente.

E isso basta.

 

 

IV — Frase Síntese (para placa invisível na Arena)

 

No pênalti beckettiano da vida, Joinville chuta a nona taça:

gol contra o absurdo — até a bola voltar ao meio da quadra.

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Beckhauser
Enviado por Beckhauser em 23/12/2025
Alterado em 23/12/2025


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