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(Lalá do Brasil) Labeck = LBW
Textos


O enredo já nasceu clássico — lapidando o exagero, afiandoa ironia e dando à conclusão aquele ar beckhauseriano de quem ri do mundo enquanto cita Platão com um copo de chope na mão.

Eis a versão aprimorada, mantendo sua alma, mas com ritmo, sarcasmo e fechamento filosófico mais redondo:

 

SÁTIRA

**O DIA EM QUE O MARACANÃ FICOU AZUL E BRANCO

(E TODO MUNDO PENSOU QUE ERA UM SONHO)**

Dezembro de 2025.

Maracanã absolutamente lotado — tão cheio que até as memórias antigas disputavam espaço nas arquibancadas.

Vasco da Gama em campo.

O adversário, pouco importa — porque, em sonhos épicos, o inimigo é sempre genérico.

Placar: 0 x 0.

Tempo: 99 minutos de acréscimo.

O árbitro já não apitava por esquecimento existencial. Estava cansado, suado e filosoficamente confuso.

- O jogo havia entrado naquela fase em que ninguém sabe mais se é futebol ou penitência coletiva.

Então, o impossível aconteceu.

- Um papagaio — verde, atrevido e livre — sobrevoava o estádio.

Chamava-se Zé Roberto, claro. No Brasil, até o absurdo tem nome comum.

O papagaio deixou cair uma pedra metafísica (não muito grande, mas suficientemente simbólica).

A pedra acertou o balão sagrado, que passou a girar como se tivesse lembrado de Copérnico, bateu caprichosamente na trave esquerda e entrou.

Silêncio absoluto.

Depois, explosão.

O árbitro, atônito, confirmou o gol e apitou o fim da partida com a autoridade de quem não queria mais discutir o sentido da vida.

- O Maracanã virou oceano.

Torcedores vascaínos choravam, pulavam, abraçavam-se e se beliscavam.

Alguns, desconfiados, escreveram “VASCO CAMPEÃO 2025” na própria mão — para garantir que não acordariam com a caligrafia intacta.

Os torcedores adversários olhavam para o céu, esperando que o papagaio voltasse…

Não para comemorar — mas para pedir desculpas.

Jornalistas correram. Não atrás do artilheiro, nem do técnico.

Foram entrevistar o papagaio.

— “Sou vascaíno desde pequeno”, disse Zé Roberto, com voz grossa e convicção histórica.

— “Meu dono me ensinou a gritar: ‘Vasco da Gama, o mais grande do mundo’. Hoje, dei minha contribuição.”

— “Agora quero um beijo, um abraço e um contrato vitalício com a memória do clube.”

A CBF tentou anular o gol:

— “Papagaios não constam no regulamento.”

A FIFA respondeu, com inesperada lucidez:

— “Em tempos de niilismo financeiro, VAR seletivo e sistemas que não funcionam, um papagaio que faz justiça é exatamente o que o futebol precisa.”

E assim, sem VAR, sem TED, sem PIX e sem explicação plausível,

o Vasco foi campeão.

O papagaio Zé Roberto foi declarado Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, recebeu uma gaiola simbólica (que recusou, por princípios libertários) e passou a morar definitivamente no imaginário nacional.

 

CONCLUSÃO HUMORÍSTICA BECKHAUSERIANA

O PAPAGAIO E A VERDADE DO FUTEBOL

 

Sonhar com o Vasco campeão no Maracanã em dezembro de 2025:

— Para os rivais, um pesadelo clínico.

— Para os vascaínos, um sonho que, no próprio sonho, virou realidade.

E com um papagaio como herói — algo absolutamente coerente num país onde o improvável é apenas uma etapa do protocolo.

Lembrei de Platão e da caverna:

os homens veem sombras e acreditam que são a realidade.

Aqui, o vascaíno vê um papagaio decidindo um campeonato

e desconfia que é sonho.

Mas talvez seja exatamente o contrário.

O futebol não é feito de sistemas perfeitos, balanços auditados ou regulamentos infalíveis.

É feito de instantes absurdos, desses que aceleram o coração e suspendem a lógica.

Em tempos de niilismo financeiro — quando tudo promete e nada entrega —

um papagaio que entrega um título talvez seja o último gesto de sentido que nos resta.

Platão provavelmente não gostava de futebol.

Mas se estivesse no Maracanã naquele dia,

teria saído da caverna, colocado a túnica azul e branca

e pedido um autógrafo ao papagaio Zé Roberto.

Porque, no fundo,

a verdade não mora nos sistemas —

mora no inesperado.

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Beckhauser
Enviado por Beckhauser em 21/12/2025


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