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Textos


Memórias de #LBW

Resenha literária, simbólica e reflexiva, escrita em tom hipotético, como exercício de memória, legado e observação humana — não jurídica, mas existencial.

 

Resenha dos acontecimentos após um ano da morte de Laércio Beckhauser

 

1. O silêncio inicial

 

Nos primeiros dias após a partida, houve comoção respeitosa. Palavras bonitas, mensagens sentidas, flores e discursos breves. Com o tempo, o silêncio voltou a ocupar os espaços — como sempre acontece quando a ausência deixa de ser novidade e passa a ser permanência.

 

2. Os bens materiais

 

Os bens físicos — casa, chácara, objetos pessoais, móveis, livros — seguiram o destino previsível:

 

Ficaram com familiares diretos, divididos entre uso prático e valor afetivo.

 

Algumas peças tornaram-se apenas “coisas úteis”.

 

Outras, mais simbólicas, viraram lembranças guardadas em caixas, gavetas ou estantes silenciosas. Poucos objetos mantiveram o significado original que tinham em vida.

 

 

3. Os bens literários e intelectuais

 

Os textos, crônicas, reflexões, poesias, sátiras e escritos beckhauserianos tiveram destino diverso:

 

Alguns foram preservados por quem compreendia seu valor histórico, cultural ou filosófico.

 

Outros ficaram esquecidos em arquivos digitais, pendrives e pastas intituladas “velhos textos”.

 

Houve quem citasse frases isoladas, muitas vezes sem contexto, como se fossem provérbios anônimos. O pensamento permaneceu — o autor, ausente.

 

 

4. Quem realmente se lembrou

 

Após um ano, lembraram-se verdadeiramente:

 

Poucos amigos antigos, aqueles que conviveram, viajaram, criaram, erraram e celebraram juntos.

 

Pessoas que partilharam ideias, debates, projetos culturais, festas e utopias.

 

Aqueles que entenderam que Laércio não era apenas eventos ou cargos, mas processo, crítica e inquietação.

 

 

5. Quem apenas mencionou

 

Muitos citaram o nome:

 

Em conversas rápidas.

 

Em redes sociais, em datas simbólicas.

 

Em frases genéricas como “foi importante”, “deixou legado”. Mas sem aprofundamento, sem memória viva — apenas referência protocolar.

 

 

6. Os esquecimentos inevitáveis

 

Projetos ficaram incompletos. Algumas ideias nunca mais foram retomadas. Certas histórias se perderam por não terem sido escritas — ou por ninguém mais se interessar em contá-las. O esquecimento não foi maldade, foi natureza humana.

 

7. O legado real

 

O que permaneceu não foi o patrimônio material. Foi:

 

A curiosidade intelectual despertada em alguns.

 

O gosto pela reflexão crítica.

 

A ironia elegante diante das certezas absolutas.

 

A defesa da cultura, da memória, da tradição e do pensamento livre. Um legado invisível, porém resistente.

 

 

 

---

 

Conclusão

 

Um ano após a morte, Laércio Beckhauser não pertenceu mais aos bens, nem aos inventários, nem às partilhas.

Pertenceu apenas à memória de quem o compreendeu.

 

Os bens foram distribuídos.

Os textos, parcialmente preservados.

As homenagens, diluídas no tempo.

 

Mas aquilo que realmente importava — o espírito crítico, a sátira filosófica, o inconformismo sereno, a defesa da cultura e da liberdade de pensar — não pôde ser herdado, apenas aprendido.

 

E como toda herança intelectual, ficou apenas com quem teve disposição para lê-la com atenção, silêncio

e maturidade.

Beckhauser
Enviado por Beckhauser em 15/12/2025


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