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Em estilo beckhauseriano, com sua mistura literária de erudição, humor fino, filosofia leve e aquele toque memorialista que você aprecia..
CRÔNICA — “O Mistério do N que Nunca Existiu”
Na sala de aula da Univille, em Joinville, o professor da Língua Portuguesa, Mestre David Vegini, ( https://youtu.be/kiHBAJnCiCU?si=N5Em3_FefnGx2jEY) — desses que ainda carregavam um latim nos bolsos e uma saudade nos olhos — observava um aluno curioso que folheava um dicionário como quem decifra um pergaminho medieval.
— Professor, por que “muito” não tem N? - O mestre sorriu, ajeitou os óculos e lembrou-se dos estudos no seminário salesiano de Dom Bosco, em Ascurra, e disse: — Porque o N, meu caro aluno, nunca quis morar ali. - A palavra veio do latim "multus", que virou mútus e depois escorregou para esse “mui-to” que você conhece. - É como certas famílias antigas: mudam de nome, de casa, mas carregam sua essência.
- O aluno riu, fascinado: — Então é uma espécie de evolução sem N? — Exato. - Nascemos sem certas letras e vamos vivendo assim mesmo, concluiu o velho.
- E naquele momento, o professor percebeu: a língua é viva, caprichosa, cheia de manhas como os beija-flores da Pirahystrassepp. - Não é preciso um N onde não há necessidade. - E ponto.
PARÓDIA — No Ritmo de “Evidências”
🎵 “Quando eu digo mui-to sem N, É porque a língua quer E o latim já trouxe assim, E isso você precisa aprender...” 🎵 9 🎵 Eu não ponho N nenhum, Pois não faz sentido algum, É ditongo natural, É mudança ancestral… 🎵
🎵 E eu... Eu sei que um N ali Não combina, não flui, Não dá samba nem dó... 🎵
🎵 Muito é só muito — sem N e sem dó! 🎵
SÁTIRA — O Tribunal da Língua Portuguesa
- Na “Suprema Corte dos Fonemas”, instalou-se um julgamento histórico:
- O N, enciumado, exigia o direito de entrar em “muito”. — Excelências, eu estou em “banco”, em “ponto”, em “venda”! - Quero estar em “muinto”!
- O ditongo UI levantou-se indignado: — Protesto! Sempre fiz meu trabalho sem depender de ninguém!
- O juiz, a palavra “Ética”, bateu o martelo: — O N só entra quando houver nasalidade estrutural. - Mas aqui, é só mania do povo, vício de dicção. - Caso encerrado.
- O N saiu resmungando: — Eu ainda volto em plebiscito popular!
O povo respondeu em coro: — "Muiiiiito" difícil!
- RESENHA — “Muito: Uma Pequena História de Uma Palavra Grande”
1. Origem: do latim multus, que significava “numeroso”. 2. Transformação: o L enfraqueceu, o som deslizou, o português arcaico fez nascer o ditongo “ui”. 3. Ortografia: nunca teve N; não havia nasalidade estrutural. 4. Confusão popular: muitos brasileiros inserem um N na fala por ritmo, velocidade ou preguiça articulatória. 5. Conclusão linguística: “muito” é um fósforo antigo que ainda acende a chama etimológica. 6. Caráter cultural: a palavra virou exemplo de como a fala molda percepções — mas nem sempre a escrita. 7. Veredito: “Muito” permanece como sempre foi: simples, direto, sem N e sem drama.
CONCLUSÃO
- A língua portuguesa é um organismo vivo que traz em cada palavra uma biografia secreta. -"“Muito” é uma dessas sobreviventes históricas: nasceu de um latim sem N, caminhou pelos séculos sem N e permanece firme, elegante e enxuta. - O som nasal que alguns falantes enxertam não passa de um floreio fonético — como um músico que acrescenta um vibrato onde não existe na partitura.
- A palavra “muito” mostra que a língua não precisa de enfeites para existir: ela evolui porque quer, não porque mandam.
FRASE-SÍNTESE (em estilo Beckhauseriano)
- “Muito é muito, sem N — porque a língua, sábia como o tempo, só carrega o que lhe serve.” - www.laerciobeckhauser.com - #LBW, #lbw, #muito, #multus. #muinto. #Conto, Beckhauser
Enviado por Beckhauser em 08/12/2025
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