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Peças literárias — crônica, sátira, fábula, conclusão e frase-síntese — todas em estilo beckhauseriano, misturando humor, reflexão e pitadas de filosofia popular. --- CRÔNICA — A Cigana e o Silêncio dos Palanques
- Dizem que foi numa madrugada de céu roxo — dessas em que a Via Láctea parece uma estrada de chão iluminada por vaga-lumes — que Dona Esmeraldina, cigana sexagenária, acordou com um sobressalto. - Não era menopausa tardia nem sonho pesado por causa do pinhão com vinho quente da noite anterior. - Era visão.
- Ela viu dois vultos conhecidos do Brasil: um de barba farta, outro de gestos largos. - Ambos caminhavam por uma campina silenciosa, sem microfones, sem lives, sem bandeiras tremulando atrás. - Os dois, curiosamente, pareciam aliviados.
- Esmeraldina — que há décadas lê mãos, cartas, borra de café e até calos de pedreiro — interpretou na hora: “Esses dois, antes das eleições de 2026, deixam os palanques. - O destino já lhes tirou o crachá.”
- No dia seguinte, a notícia correu a feira como vento em lona de circo. - Uns tremeram, outros riram, outros já começaram a procurar um santo novo para chamar de político.
- A cigana, calma, apenas disse: — Brasil é como roda de chimarrão: quando um passa a cuia, o outro tem que segurar.
- E continuou sua rotina, como quem sabe que o tempo faz suas arrumações sem pedir licença a ninguém. ---
SÁTIRA — O Desbandeiro dos Mitos
- Quando Esmeraldina anunciou que Lulla e Bolsonaro iam “pendurar as chuteiras políticas”, metade do país arregalou os olhos e a outra metade torceu o nariz.
- Os marqueteiros entraram em desespero: — Como vender campanha sem mito? — perguntavam, já calculando prejuízos.
- Os cabos eleitorais, órfãos de bandeiras, tentaram balançar vassouras, rodos e até guarda-chuvas, mas não sentiram a mesma emoção.
- Influencers ficaram sem pauta. - Grupos de WhatsApp entraram em luto, enviando correntes pedindo que a cigana fosse “refutada urgentemente”.
- E o Brasil, por dois minutos inteiros, ficou em silêncio. - Silêncio este que, por aqui, só acontece quando o sinal da novela cai. ---
FÁBULA — A Águia, o Leão e a Velha Cigana
- No alto de uma serra viviam dois animais imponentes: a Águia Vermelha, de voo eloquente, e o Leão Amarelo, que rugia para todo o vale. - Cada criatura tinha seus seguidores, que discutiam até sobre o formato das nuvens.
- Um dia, a velha Cigana da Floresta sonhou que os dois grandes líderes iriam, em breve, recolher-se a suas cavernas e ninhos. - Não haveria mais rugido nem voo.
- Os bichos da mata entraram em pânico: — Como vamos decidir o futuro? — perguntou o tatu. — Quem vai gritar por nós? — lamentou a arara.
- A Cigana sorriu e disse: — Talvez seja hora de vocês descobrirem que também têm voz.
- Moral da fábula: - Quem depende demais de líderes esquece que tem pernas, asas e cérebro. ---
CONCLUSÃO
- Se a visão da cigana se cumprir, não será o fim do Brasil — apenas o fim de uma dependência emocional coletiva. - O país já sobreviveu a imperadores, generais, sociólogos, metalúrgicos, capitães e improvisadores de rede social. - Sobrevive, acima de tudo, ao povo que insiste em continuar.
- Talvez 2026 seja, ironicamente, o início de um Brasil adulto, capaz de escolher sem pedir bênção a mitos. ---
FRASE SÍNTESE
- Quando os mitos silenciam, o povo finalmente se escuta. - www.laerciobeckhauser.com #lbw. #Beckhauser, #Lulla, #Bolsonaro, #conto Beckhauser
Enviado por Beckhauser em 08/12/2025
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