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Sonhos infantis e o Mundo real.- Conjunto literário completo inspirado na MINHA trajetória pessoal e na reflexão sobre vocação e caminho de vida. Cada peça tem estilo próprio, mas todas dialogam entre si.
- CRÔNICA — “O Seminário, o Menino e o Mundo”
- Quando menino, Laércio atravessou os portões altos do seminário salesiano com a mala pequena, alguns cadernos, a saudade dos pais e uma curiosidade que cabia no bolso. Os sinos marcavam horários como quem marca destinos, e a disciplina, firme como a voz dos padres, organizava o tempo e o silêncio.
- Foram quatro anos e meio de estudo, oração, brincadeiras no pátio e pequenos ritos diários que moldam caráter e memória. -:Às vezes a vida parecia um latim indecifrável; outras, era apenas o cheiro do pão no refeitório.
- Mas vocação não nasce por convivência — nasce por chamada. - E ao menino, a voz que ecoou mais forte não veio do púlpito, nem do confessionário. - Veio do próprio coração, dizendo-lhe que o mundo era grande, e que suas inquietações buscavam outro caminho.
-:Saiu do seminário com respeito, amizade, fé e liberdade. - Levou a bênção dos padres e deixou o desejo sincero de que cada jovem encontrasse, ali ou lá fora, seu próprio sentido.
E a vida continuou — como sempre continua — levando cada um ao seu destino. ---
MINICONTO — “A Porta Entreaberta”
-:Laércio estava prestes a fechar as malas quando ouviu passos no corredor. - Era o Padre Antônio, sorriso calmo, mãos para trás.
— E então, meu filho, decidiu mesmo partir?
— Sim, padre. Acho que Deus me chama… mas não para cá.
- O padre assentiu devagar, como quem já tinha escutado aquela frase antes.
— Deus chama de muitos modos. - Alguns Ele envia para o altar; outros, para o mundo — e às vezes o mundo precisa mais deles.
-:Laércio sorriu. - Ao sair, notou que a porta do seu antigo dormitório ficou entreaberta. ' Ele entendeu: algumas coisas precisam ficar assim — abertas o suficiente para que a lembrança entre, mas não tanto que impeça a vida de seguir. ---
ODE — “À Voz Que Chama”
' Ó Voz eterna, que sussurra nos vales da alma, que acende luz onde o medo se aninha, que chama tantos para a vinha sagrada e outros tantos para as searas do mundo!
-:Teu timbre não força — convida. Teu chamado não aprisiona — liberta. Às vezes ecoa entre sinos e incensos; outras, no trabalho simples, na família, na construção diária do bem.
- Benditos os que te ouvem — seja para o altar, seja para a vida comum — pois tua Palavra nunca silenciosa guia caminhos de infinitas vocações.
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CORDEL — “O Menino e o Seminário”
-"No sertão do coração Laércio menino entrou, no colégio salesiano onde Dom Bosco inspirou.
- Aprendeu bem a disciplina, rezou missa, fez oração, mas no peito descobria outra grande vocação.
-"Quatro anos e meio inteiros no internato passou, e ao sair, viu que o mundo outro rumo lhe chamou.
- Mas guardou bela lembrança desse tempo original, pois a fé que ali nasceu segue firme, espiritual.
- Cada jovem tem seu norte, cada alma seu fulgor, e Deus chama a cada um como quer, com Seu amor. ---
SÁTIRA — “O Santo, o Pecador e o Indeciso”
No seminário certo dia, três rapazes discutiam:
— Serei padre! — dizia o primeiro, convicto. — Eu não! Quero casar e ter dez filhos — dizia o segundo, animado. — E você? — perguntaram ao terceiro, Laércio.
Ele pensou, coçou a cabeça e respondeu:
— Eu… vou viver. Depois descubro o resto.
- Os outros riram. - O padre do corredor ouviu, virou-se e disse:
— O mais sábio é esse aí. - Primeiro vive, depois decide. -:Às vezes até nós, padres, devíamos ter feito isso.
- E foi embora rindo, deixando os meninos mais confusos do que santos. ---
FÁBULA FILOSÓFICA — “O Sabiâ e a Coruja”
Um sabiá, encantado com o canto celestial da coruja do bosque, decidiu imitá-la. - Tentou cantar de noite, virar o pescoço, voar devagar.
-:Mas nada dava certo.
— Por que não consigo ser como você? — perguntou o sabiá.
A coruja respondeu:
— Porque a vocação é como a asa: nasce junto de quem a carrega. Tu foste criado para cantar ao amanhecer, alegrar o dia. - Eu, para vigiar a noite.
O sabiá então pousou em silêncio e descobriu que ser ele mesmo era, afinal, o maior chamado.
Moral: A verdadeira vocação é aquela que torna a alma leve. ---
RESENHA ENUMERADA — “O Sentido da Vocação: Lições de uma Vida”
1. A formação religiosa deu profundidade, disciplina e valores duradouros.
2. A experiência no seminário marcou pela convivência fraterna e pela busca interior.
3. A ausência de vocação sacerdotal não representou falha, mas descoberta.
4. A amizade com ex-seminaristas mostra que vínculos espirituais ultrapassam escolhas profissionais.
5. A fé permanece, mesmo fora dos muros institucionais.
6. Deus continua a chamar, mas cada um descobre sua missão no tempo certo.
7. A vida segue, generosa, permitindo novos propósitos para cada caminho.
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CONCLUSÃO
- A experiência de Laércio no seminário não foi um desvio, mas um alicerce. -: A vocação sacerdotal não se impôs, mas a vocação da vida se abriu ampla, madura e verdadeira. -:E quando alguém caminha fiel ao que sente, torna-se, mesmo sem batina, um luminoso servidor da existência. - Porque a obra de Deus não está apenas no altar — está também nas escolhas honestas, no bem que se espalha, na vida vivida com sentido. ---
FRASE-SÍNTESE
“A verdadeira vocação é seguir o chamado da própria alma — seja para o altar, seja para o mundo.” - www.laerciobeckhauser.com #lbw, #LBW, #ajl, #joinville, #cronica. Beckhauser
Enviado por Beckhauser em 30/11/2025
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