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(Lalá do Brasil) Labeck = LBW
Meu Diário
05/09/2011 18h53
Parresía é prima da Erística?

 

Parresía, a verdade corajosa.

 

Se tornar indesejável por dizer uma verdade  pode ser  uma uma experiência humana dolorida. 

A capacidade dos seres humanos conviverem com seus semelhantes em aprazíveis relações torna esta conduta, muitas vezes,  condenável, mas eficiente.

 

Parresía é o termo em grego que determina a coragem de se dizer tudo, de falar a verdade e com mais pura franqueza. O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), em sua obra "O governo de si e dos outros", trata desta matéria que foi usada inicialmente pelos gregos.

A palavra correta dita no momento certo aniquila moralmente até os poderosos.
 
A parresía pode ser usada tanto na esfera privada como na vida pública.
 
 Foucault afirma que "as diferentes maneiras de dizer a verdade podem aparecer como formas" e analisa quatro delas: estratégia de demonstração, de persuasão, de ensino e de discussão.
 
 
Quanto à retórica, diz ele: "a parresía como técnica, como procedimento, como maneira de dizer as coisas, pode e muitas vezes deve efetivamente utilizar os recursos da retórica (...) a parresía se define fundamentalmente, essencialmente e primeiramente como o dizer-a-verdade, enquanto a retórica é uma maneira, uma arte ou uma técnica de dispor os elementos do discurso a fim de persuadir." Sem dúvida, a retórica não se ocupa com o fato do discurso ser ou não verdadeiro e isso é essencial à parresía.
 
Sobre ser uma maneira de ensinar, uma pedagogia, Foucault também refuta dizendo haver: "(...) toda uma brutalidade, toda uma violência, todo um lado abrupto da parresía, totalmente diferente do que pode ser um procedimento pedagógico. O parresiasta, aquele que diz a verdade dessa forma, pois bem, ele lança a verdade na cara daquele com quem dialoga ou a quem se dirige (...)".
 
E complementa dizendo que "(...) quem diz a verdade lança a verdade na cara desse interlocutor de maneira tão cortante e tão definitiva, que o outro em frente não pode fazer mais que calar-se, ou sufocar de furor (...)".
 
Seria a parresía uma maneira de discutir?
 
Pertenceria à Erística?
 
Éris é a deusa da discórdia (disputa, querela) e esse termo compreende "uma arte da controvérsia e do debate, desenvolvido principalmente pela Escola de Mégara (séc. V-IV)". Não. O parresiasta não tem por télos (finalidade) discutir, mas dizer: "Há, de um lado, um dos interlocutores que diz a verdade, e que se preocupa, no fundo, com dizer a verdade o mais depressa, o mais alto, o mais claro possível; e depois, em face, o outro que não responde, ou que responde por outra coisa que não são discursos".
 
Michel Foucault afirma que a parresía é uma certa maneira de se dizer a verdade, mas que esta maneira não pertence à erística (arte de discutir), nem à pedagogia (arte de ensinar), nem à retórica (arte da persuasão) nem tampouco a uma arte da demonstração: "Não a encontramos no que poderíamos chamar de estratégias discursivas".
 
Pode-se servir da parresía para emitir lições, aforismos, réplicas, opiniões, juízos etc., mas o que mais a caracteriza, onde há verdadeiramente parresía, é quando não se fica impune ao pronunciá-la.
 
Ele diz crer que, se quisermos analisar a parresía, não devemos nos ater ao "lado da estrutura interna do discurso, nem do lado da finalidade que o discurso verdadeiro procura atingir o interlocutor, mas do lado do locutor, ou antes, do lado do risco que o dizer-a-verdade abre para o próprio interlocutor".
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Parresía

De Wikipedia, la enciclopedia libre
 

En la retórica clásica, la parresía era una manera de «hablar cándidamente o de excusarse por hablar así». El término está tomado del griego παρρησία (παν = todo + ρησις / ρημα = locución / discurso) que significa literalmente «decirlo todo» y, por extensión, «hablar libremente», «hablar atrevidamente» o «atrevimiento». Implica no sólo la liberdade de expresión  sino la obligación de hablar con la verdad   para el bien común, incluso frente al peligro individual.

http://es.wikipedia.org/wiki/Parres%C3%ADa

 

 
(Baseado no texto de
 Luciene Félix, Professora de Filosofia e Mitologia Grega da Escola Superior de Direito Constitucional.)

 


Publicado por Beckhauser em 05/09/2011 às 18h53

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