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(Lalá do Brasil) Labeck = LBW
Meu Diário
27/04/2009 09h10
Rapto de criança por ciganos, no Brasil, em 1952
Desde 1952 fiquei com estas imagens, ainda vivas na minha mente.

Um casal de ciganos, aportaram com sua carroça no rancho da casa de meus pais e ficava feliz em vê-los trabalhando na fabricação artesanal de panelas, figideiras e peças correlatas de cobre.

O fogo, as batidas do martelo moldando o metal atraiam a minha atenção para esta atividade laboral.

Não me lembro do nome deste casal e nem do nome da criança que acompanhava este casal de ciganos.
Lembro-me que ele os chavamam de pai e mãe.


O meio de locomoção, a casa e todos os pertences deste casal de cigano ficavam inseridos na carroça que era conduzida por dois cavalos amestrados e que serviam também de montaria.

Minha mãe, era professora, funcionária pública estadual, 32 anos e meu pai, delegado de polícia, 35 anos na cidade de Benedito Novo.

O município de Benedito Novo localiza-se no médio Vale do Itajaí, microrregião de Blumenau, no Estado de Santa Catarina, nos contrafortes da Serra do Mar e ao longo da Bacia do Rio Benedito, afluente do Rio Itajaí-Açú a uma altitude de 130 metros da sede. Está a aproximadamente, 40 km de Blumenau, 100 km do litoral e 180 km da capital Florianópolis.

Esta situado a oeste de Greenwich com latitude 26º78’3’’ S e longitude 49º36’4’’ W.

Lorival e Liene eram meus irmãs que já estudavam no Grupo escolar Teófilo Nolasco de Almeida, aproximadamente a uns 800 metros de nossa casa.

Muitas vezes, mesmo  eu não tendo idade escolar, com meu triciclo (bicicleta infantil) fugia da empregada Elvira  e  ia assistir as aulas que a professora Jurema, minha mãe, ministrava para seus alunos no primeiro ano do ensino primário no estabelecimento escolar.


Certo dia, neste periodo, após o meio-dia, quando minha mãe veio almoçar em casa, após o término das aulas matutinas, notou que os ciganos tinham se retirado do rancho, cedido para que  eles se instalassem  temporariamente.

Como era habitual, me chamou para almoçar.  Após, não tendo me encontrado, pediu para a Elvira me procurar. Ela, aos gritos, chamava pelo meu nome. Foi até as margens do rio Benedito, que ficava aos fundos da casa e nada de me encontrar.
Apavadoradas,  Jurema e Elvira choravam e chamavam  alto pelo meu nome.


E nada de me encontrar.  Não respondia seus apelos insanos e
preocupados.

Neste momento, passava pela rua um morador próximo da nossa casa preocupado se dirigiu a minha mãe:
Professora Jurema, o que aconteceu?  Qual o motivos destes
gritos e de tanto choro?
Ela rapidamente, esclareceu o que tinha acontecido. Falou do meu desaparecimento. Explicou que os ciganos também tinham desparecido.
Ele então falou para a minha mãe que eu estava com os referidos ciganos, pois ele tinha me visto em cima da carroça
com outro menino e acreditava que não deveria estar muito longe, pois nem uma hora ele tinha visto a carroça se dirigir na direção de Timbó.

Minha mãe, prontamente entrou em contacto com o meu pai, na Delegacia de Polícia e  me lembro que o passeio com os ciganos foi curto, pois o meu pai me buscou, com uma limonise de um comerciante, amigo do delegado e da professora.

Lembro-me ainda, de um diálogo da minha mãe com o meu pai:

- "
Agostinho, que situação embaraçosa, um filho de delegado e
  de professora raptado por ciganos, hein!  Que falta de cuidado
   que temos em educar nossos filhos.
   Bem que eu te avisei que não queria estranhos em nossa propriedade.


- É Jurema,  sou delegado, servi o exército brasileiro e sei dos meus direitos e de minhas obrigações. 
Por isto, nosso filho está aqui, alegre e feliz, pois fez amizade com os ciganos e passeou  de carroça e ganhou muitos doces da cigana.
Só que eu já lhe disse que jamais deverá aceitar passear com pessoas que não sejam da família.

- É,  Agostinho, por sorte, estes ciganos se locomovem de carroça, pois se tivessem carro, possivelmente nosso filho, agora, já teria outra família.


- Sim,  Jurema, pode até ser verdade estas tuas palavras,  mas se fossem ciganos ricos, não estariam aqui, neste local,
pedindo pousada. Estariam em cidades maiores e em capitais.

- Pois é,  Agostinho, que nos sirva isto de lição.
"

Tenho certeza,  hoje,  que esta família de ciganos perdeu um novo integrante que possivelmente seria ampliada com outras crianças raptadas de famílias de outras localidades.

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There are more things in heaven and earth, Horatio,
Then are dreamt of your philosophy.
Shakespeare, Hamlet, Ato I.


Há no céu e na terra, Horácio, bem mais coisas
Do que sonhou jamais vossa filosofia.






















Notas explicativas:
O Povo Cigano é guardião da LIBERDADE. Seu grande lema é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o Carroceiro.

13 de maio, 2002 - Após 428 anos o governo brasileiro reconhece que os ciganos merecem respeito, são cidadãos. O Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH II) inclui (graças aos esforços da Associação de Preservação da Cultura Cigana, no Paraná), pequeno texto sobre este povo. Vamos citar os tópicos relativos a eles para que não se esqueçam:


Ciganos
259. Promover e proteger os direitos humanos e liberdades fundamentais dos ciganos.
260. Apoiar a realização de estudos e pesquisas sobre a história, cultura e tradições da comunidade cigana.
261. Apoiar projetos educativos que levem em consideração as necessidades especiais das crianças e adolescentes ciganos, bem como estimular a revisão de documentos, dicionários e livros escolares que contenham estereótipos depreciativos com respeito aos ciganos.
262. Apoiar a realização de estudos para a criação de cooperativas de trabalho para ciganos.
263. Estimular e apoiar as municipalidades nas quais se identifica a presença de comunidades ciganas com vistas ao estabelecimento de áreas de acampamento dotadas de infra-estrutura e condições necessárias.
264. Sensibilizar as comunidades ciganas para a necessidade de realizar o registro de nascimento dos filhos, assim como apoiar medidas destinadas a garantir o direito de registro de nascimento gratuito para as crianças ciganas.


25 de junho, 2006 — É criado o dia do cigano no Brasil, a ser festejado em 24 de maio, dia de Santa Sara, a padroeira dos ciganos.



Publicado por Beckhauser em 27/04/2009 às 09h10

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