![]() 17/03/2009 10h36
Fábulas - Esopo, Fedro, La Fontaine e outros
FÁBULAS -
![]() HISTÓRIA DA FÁBULA A FÁBULA é a narração de uma pequena cena, cujos figurantes são geralmente, animais, sendo pouco numerosos aquelas em que as personagens são vegetais ou seres humanos. Tem ela por fim mostrar uma verdade de experiência ou um preceito moral. Parece ter nascido na Índia, onde talvez por causa da crença na metempsicose, havia mais interesse pelo estudo e observação dos costumes característicos dos animais. Ao que diz a lenda, foi o brâmane Pilpai quem lhe deu forma escrita, em sânscrito. Passou depois para Grécia, onde, com Esopo, atingiu alto grau de perfeição. Cultivaram-na, também, os Romanos, entre os quais se distinguiu Fedro, que se limitou a introduzir em Roma as fábulas gregas, imitindo-lhes, todavia, o fogo de seu gênio. Na Idade Média, surgiu ela no Ocidente, sob a forma duma coleção de história natural moralizadora, intitulada Bestiários. Mais tarde, no século XVII, La Fontaine adotou na França, dando-lhe a estrutura de um drama em miniatura, que tem por cenário a paisagem das diversas províncias francesas, observadas segundo o curso das estações ou das diferentes horas do dia. - Com estes três autores, atingiu o ápice da perfeição. Outros há, porém, que, em épocas diversas, brilharam neste gênero: Babrius, que pôs em versos as fábulas de Esopo; Florian, Aujbert, Lamotte e Lachambeaudie, na França; Guy e Dreyen, na Inglaterra; Gellert, Lessing e Borner e Hans Sachs, na Alemanha; Juan Ruiz, Juan Manuel, Iriarte e Samaniego, na Espanha. Em português, não temos fabulistas; nossos poetas não fizeram mais que uma grosseira e fria cópia de La Fontaine ou de Fedro. Em compensação, o povo anônimo das Américas é senhor de vastíssimo folclore animalista, a que falta, apenas, uma bela forma artística. É todo um repertório de peças interessantes, à procura de autor... CARACTÉRÍSTICAS DA FÁBULA. - Deve a fábula ser curta, fácil e expressiva. Quando suas personagens são animais, convém conservar-lhes as qualidades predominantes (por exemplo: a timidez no carneiro, a voracidade no lobo, etc.), sem lhes falsear nem forçar a natureza, de modo que a conclusão seja a conseqüência lógica das circunstâncias e dos caracteres postos em jogo. OS ELEMENTOS DA FÁBULA. - Conta a fábula, quase sempre, dois elementos: a narrativa, ou exemplo, e a máxima, ou argumento; mas pode constar unicamente da primeira. 1° A NARRATIVA. - A matéria da narrativa é às vezes, simplesmente uma descrição de animal, em que se transcrevem, além de particularidades físicas, suas qualidades e defeitos, suas atitudes e seus movimentos; outras vezes, é um contraste ("O carvalho e o caniço"), porém, as mais das vezes, é um conflito, e a forma dramática da narrativa se torna mais impressionante: o conflito é cômico, quando um espertalhão ludibria um tolo ("A raposa e o corvo"); é trágico, quando o mais fraco se torna vítima do mais forte ("O lobo e o cordeiro"). 2° A MÁXIMA. - As máximas nem sempre ensinam a virtude, pois são, antes de tudo, lições de prudência prática, de experiência, desprovidas de otimismo e que nos mostram quais são as exigências e as cruéis realidades da vida. O SENTIDO SIMBÓLICO DAS FÁBULAS. - As fábulas foram consideradas de modo assaz diferentes. 1° - Viu-se nelas a pintura satírica da sociedade do tempo em que foram compostas; a jerarquia dos animais representaria, então, a jerarquia social: o leão seria o rei; o tigre, o leopardo, o lobo, etc., simbolizariam os nobres e poderosos senhores da corte; o urso seria o fidalgo camponês; a raposa e o macaco, os cortesãos bajuladores; o burro, a cabra, o carneiro, etc., a gente do povo; e o gato de pelos sedosos, o magistrado. 2° Viu-se nelas, ainda, uma pintura de toda a humanidade; e, já que tal pintura não envelheceu, é porque são os homens de todos os tempos que, mascarados de animais, encarnam as personagens de uma ampla comédia, cujo cenário é o universo. 3° Viu-se nelas, enfim, uma concepção filosófica, que reconduz o homem ao naturalismo de alguns antigos aproximando-o da natureza, dando-lhe por modelos os costumes simples e inocentes dos animais, ensinando-lhe que, entre nós e os brutos, não há muito grande diferença e que com eles podemos aprender muita coisa. (FLOR DO LÁCIO. Autor OLIVEIRA, Cleófano Lopes de. Edição Saraiva, São Paulo 1969 - 10ª edição revista pelo autor). ESOPO, O MAIOR REPRESENTANTE DO MUNDO,DO ESTILO LITERÁRIO - "FÁBULAS" Esopo foi um personagem legendário quase mítico do século VI a.C. (foi citado por Heródoto, em sua História, por Aristófanes, Platão, além de diversos filósofos e autores gregos. Existen o texto biográfico de La Fontaine, Vie de Esope le Phrygien, e uma biografia romanesca, A vida de Esopo, produzida em 1490 pelo monge bizantino Planude). Sabe-se que ele foi um escravo libertado por seu último senhor, Xanto. Embora tivesse uma aparência estranha - consta que era corcunda - possuía o dom da palavra e a habilidade de contar histórias onde os personagens eram animais, e que invariavelmente terminavam com tiradas morais. Já no século V a.C., as fábulas de Esopo eram editadas e citadas por vários autores. Resistindo ao tempo - mais de dois mil anos-, as Fábulas de Esopo inspiraram La Fontaine e foram objeto de milhares de citações através da história. A Raposa e as Uvas é um exemplo dos mais conhecidos entre as centenas de fábulas que produziu. CONSIDERAÇÕES DE LA FONTAINE A RESPEITO DO FABULISTA ESOPO. "Acho que deveríamos colocar Esopo entre os grandes sábios de que a Grécia se orgulha, ele que ensinava a verdadeira sabedoria, e que a ensinava com muito mais arte que os que usam regras e definições". O LEÃO VELHO DECRÉPITO o leão, terror dos bosques, E saudoso da antiga fortaleza, Viu-se atacado pelos outros brutos, Que intrépidos tornou sua fraqueza. EIS o lôbo c'os dentes o maltrata, O cavalo c'os pés, o boi c'as pontas, E o mísero leão, rugindo apenas, Paciente digere estas afrontas. NÃO se queixa dos fados; porém, vendo Vir o burro, animal de ínfima sorte, - Ah! vil raça! - lhe diz - morrer não temo, Mas sofrer-te uma injúria é mais que morte! (Autor: M.M.B.de Bocage.) O LEÃO E A LEBRE Era uma lebre engraçada, Estimada Na corte d’El-Rei Leão: Todos os bobos o são Sempre na corte dos reis. - "Meu senhor, não me direis, Se é verdade ou se é mentira, Que dum galo o triste canto Pode tanto, E tanto terror inspira, Que até chegue a ser capaz De fazer voltar atrás Um leão?!" – "É bem verdade, - Diz El-Rei – fragilidade Essa é nossa; e outras tais Vês nos grandes animais, Por exemplo, o elefante, Grande, enorme, Tão possante, Já não dorme Nem sossega Se junto dele se chega, A grunhir, o porco imundo." - "Agora percebo a fundo - A lebre diz – o segredo Por que os cães me metem medo." (Autor: V. de Santa Mônica) O CACHORRO, O TIGRE E O MACACO Um cachorrinho perdido na selva vê um tigre correndo em sua direção. Pensa rápido, vê uns ossos no chão e se põe a mordê-los. Então, quando o tigre está pronto para atacá-lo, o cachorrinho diz: - Ah, que delícia este tigre que acabo de comer! O tigre pára bruscamente e sai apavorado, correndo da "fera", pensando com seus botões: " Que cachorro bravo! Por pouco não devora a mim também!". Um macaco, que havia visto a cena, sai correndo, atrás do tigre e conta como ele fora enganado. O tigre furioso diz: - Cachorro maldito! Vai pagar caro por isso! O cachorrinho vê que o tigre novamente vem atrás dele, dessa vez trazendo o macaco em suas costas, e pensa: "Ah, macaco traidor! O que eu faço agora?". Quando o tigre está a ponto de atacá-lo, o cachorrinho diz: - Macaco preguiçoso! Faz meia hora que eu mandei ele me trazer um outro tigre e ele ainda não voltou! Moral da História: Usando a imaginação podemos obter grandes resultados. Seja criativo. Esse detalhe diferencia uma pessoa vencedora de uma outra apenas esforçada. (Autor desconhecido) Publicado por Beckhauser em 17/03/2009 às 10h36
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