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42 - A Influência do nome de família na vida mental, social e profissional. Nascimento e Objetivo de um Nome
Nome de Família – SOBRENOME
A Influência do nome de família na vida mental, social e profissional.
"O nome de um homem, pode ser considerado uma simples expressão sonora do que é o homem, pode também ser um presságio do que ele será, se descobrir, há tempo, o seu significado". (William Faulkner, em Luz de Agosto – 1932).
Existe uma nova disciplina denominada como "psicognomia" sendo um ramo derivado da psicologia e que estuda o sobrenome das pessoas em relação a sua vida social e mental.
O nome na origem humana
"Procurar não significa nada. O importante é encontrar". (Pablo Picasso) Nos primórdios da humanidade, ao estudarmos a história, a geografia e a cultura de nossos antepassados observamos que o nome possuía uma importância mágica e que coincidia com a realidade imaginária da pessoa. Havia tanto um realismo entre a palavra e a realidade e um animismo entre a vida real e a intenção nominal. Nos índios americanos o nome era uma parte distinta de sua personalidade. Na Bíblia dos hebreus, nos Gêneses, está escrito que Deus fez a luz e chamou a luz de dia e as trevas de noite. No Novo Testamento há esta afirmação: "Simão, te chamarei de Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...". Em outra parte está escrito: "O Bom Pastor conhece cada uma de suas ovelhas e o nome delas estão escritas no céu...". Em todas as partes do mundo há a necessidade de dar um nome a pessoa classificando-a desta forma no seio de sua sociedade. Os nomes dados a pessoa podem ser em relação à participação de sua classe ou de seu grupo. Ainda poderá ser o nome algo referente a sugestão que poderá impor ao meio social.
Nascimento e Objetivo de um Nome
Como nasce um nome e um sobrenome? Qual o motivo? Qual o objetivo?
Estas questões poderão ser respondidas pela história. A pergunta mais difícil é sabermos quando nasceu o sobrenome. Recentemente, no mundo ocidental, o sobrenome é colocado após o nome de batismo, é norma religiosa, social e atualmente jurídica baseada no Direito Civil de quase todos os povos que se baseiam no Direito Romano em suas instituições legais. Se denominarmos alguém de Pedro, Paulo, Antônio, Francisco, João ou Marcelo, colocamos posteriormente o nome da família de seus genitores. Assim teremos o Marcelo Martins, o Francisco Silveira e o Paulo Azevedo. Se numa localidade existem dez pessoas que se chamam Paulo, alguém poderá chamar o pequeno Paulo, o gordo Paulo, O Paulo filho de José e assim por diante. Não existe data exata do nascimento do sobrenome das pessoas. Admite-se ter iniciado na Idade Média entre os anos de
Sobrenomes entre os gregos e latinos
Os gregos usavam somente o nome individual. Havia também o uso determinado pela família paterna ou materna como Felipe (filho) de Aquiles ou Telêmaco (filho) de Penélope. Usavam os latinos, às vezes, o lugar de nascimento ou o topônimo como, por exemplo: Tales de Mileto. Isto é, proveniente da localidade de Mileto. Ainda usavam uma qualidade corporal do indivíduo, como: Aquiles Pé Veloz. Alexandre, o Grande. Os gregos usavam a idade, o lugar onde viviam, ou a filiação, para distinguir seus habitantes. Já em Roma, os latinos eram mais precisos na nomeação de seus cidadãos. Já os romanos usavam uma fórmula tripartite, ou seja, havia o prenome, o nome e o sobrenome. Exemplo: Caio (prenome) + Júlio (Nome) + César (sobrenome). Estes três elementos nominais correspondiam à posição social do indivíduo. Inicialmente os romanos usavam somente o prenome, mas no ano As mulheres poderiam usar o sufixo illa ou ina, com o nome paterno. Exemplo: Valeria Messalina era filha de Valerius Messala. Os escravos possuíam somente o prenome. Poderiam ser chamados também pelo nome de seus senhores, como, por exemplo, Marcus Tullius Tiro, era o escravo de Marcus Tullius Cícero, mas quando estavam só, chamava-se escravo Tiro. Sobrenome na Idade Média Após o século V e até o século X, era adotado somente o nome único de batismo. Após esta data, até o século XV, introduziu-se o duplo nome, sendo portanto o nome seguido sempre do sobrenome que teve a tendência de se tornar hereditário. Após o século XVI houve a organização do Estado Civil e o sobrenome foi definitivamente constituído e consagrou-se em todas as comunidades e principalmente em todo o Ocidente. No código do ano de 1200, em Veneza, era recomendado especificar no nascimento de uma criança, sua pátria, a profissão dos pais, o sobrenome, a família ou dar alguma outra indicação para não haver ambigüidade entre os moradores do lugar. Aqui surge então o uso geográfico, topônimo, étnico da população, de uma estirpe, de uma nação, de uma região ou de uma cidade. Desta forma foi possível calcular, com certa precisão, o deslocamento imigratório de pessoas de uma cidade para outra. Até o estudo da genética foi favorecida pela transmissão hereditária do sobrenome pelas características de geração A Biologia pode utilizar seus conhecimentos para identificar os gens de familiares em diversas partes do mundo e em cidades distantes ou próximas. A Igreja e a família sempre tiveram a preocupação de dar uma denominação pessoal a todos seus componentes. O sobrenome também tornou-se uma necessidade e interesse público maior que o interesse particular. Os cartórios, os comerciantes e os nobres tinham um grande interesse de não haver confusão entre os nomes das pessoas que habitavam nas suas cidades e regiões. Após 1500, o sobrenome se tornou uma necessidade social e jurídica. Surge nesta época o direito do sangue (Jure sanguinis).
Concílio de Trento Em 1563, no Concílio de Trento, no norte da Itália, que foi convocado para promover a Reforma da Igreja em virtude das divergências entre católicos e protestantes, houve a regulamentação do batismo, com a obrigatoriedade de ser colocado o nome da família como sobrenome ao nome do batizado. Desta forma houve uma formalização oficial entre os casamentos, sendo desaprovadas as uniões consangüíneas. Neste ponto começaram a surgir os sobrenomes familiares externos nos diversos casamentos, com o nome diferente daquele da sua família. As mulheres começaram a perder a identidade paterna, pois começaram a usar somente o sobrenome familiar de seu marido e companheiro. Na França, na Suíça, na Alemanha, na Itália e em inúmeros outros países houve um ordenamento jurídico em seus códigos e as constituições atuais garantem e preservam os sobrenomes em todos os registros públicos com o nome e sobrenomes de toda população. Os Sobrenomes no Mundo
Os Hebreus Inicialmente, em sua pátria, os hebreus tinham somente o nome individual. Após a diáspora para o Ocidente, ano 70 com Tito e no ano 135 com Adriano e com a destruição de Jerusalém, os israelitas fixaram-se em toda a Europa. Inicialmente se estabeleceram em Roma, no Sul e nas ilhas italianas. Com o passar dos anos, os hebreus reuniram-se em pequenas comunidades e usavam as cidades de origem como sobrenome, apostos a seus nomes. Freqüentemente usavam os sobrenomes Ancona e Senigaglia, pois queriam se identificar como originários destas regiões. Também, muitas vezes, traduziam seus nomes israelitas para a língua italiana, por exemplo Ben Porath (=filho do fruto) transformou-se para Bemporad ou para De Pomis. O nome "abulafiya" (farmacêutico) transformou-se em Abolaffi ou Bolaffi. Ainda foi costume em determinadas épocas, por perseguições religiosas, os hebreus se converterem ao cristianismo e para se protegerem adotavam o nome de batismo igual ao de seus padrinhos.
Países Anglo-saxões (Alemanha, Suíça, Áustria, Inglaterra, Holanda, Suécia, Dinamarca, Noruega e Arredores)
Nestes países era comum haver o sobrenome paterno com as terminações, sohn ou sem que significa filho de. Ex.: Friderichsohn ou Karlssen ou Johannesohn. Na Islândia há o velho costume escandinavo de colocar o sufixo -–on (=filho) e dottir (filha). Ex.: O pai de Tryggva Jonasson se chamava Jonas, e a filha de Tryggva tinha o nome de Tryggvadottir. Ainda há o caso do acréscimo da letra – s (Stevens – Di Stefano) ou do prefixo fits (francês antigo, fils) . Na Escócia e na Irlanda há o uso constante do Mac ou MC que quer dizer filho de. (Mac Donald). Na Irlanda há a forma O'(O"Brien = descendente de Brien). Após 1700 houve a tendência de se usar um nome intermediário ao nome e sobrenome, como John Fitzgerald Kennedy e podia ser usado também somente as suas iniciais – JFK. Outro exemplo: Johann Karl Beckhäuser = JKB. Países Eslavos (Polônia, Rússia, Estonia, Eslováquia e Arredores) Usa-se também ao nome paterno o sufixo -ovic: Petrovic = De Pedro. Neste caso há a declinação deste sufixo para o gênero masculino e feminino e também para o número singular ou plural. Exemplo: A mulher de Pedor Michajlovic (=filho de Michail) Dostoevskij é Marja Dimitrevna Isaeva (= filha de Dimitri Isaev). Outro Exemplo: No romance "Os irmãos Karamazov" temos a personagem "Bratja Karamazovy".
Países espanhóis (Espanha e América Latina)
Na Espanha é utilizado o uso do sobrenome paterno e também do materno (De...y...): Miguel de Cervantes y Saavedra.
Grécia Os sobrenomes gregos podem ter o sufixo –pulos: Papadopulos, Antonopulos. Pulos significa filho de, derivado do latim pullus (=pequeno, jovem). Arábia Os nomes árabes possuem uma denominação complexa. O nome poderá ser seguido pelo seu antepassado (nasab), elencado genealogicamente após a palavra ibn (filho de). Poderá ter o nome de um familiar (kunyah) o que mais se aproxima de nome ocidental, pois pode ser um patronímico, um matronímico ou um tecnonímico, consoante sua característica individua,l como por exemplo: "abu" que significa pai, mãe ou possuidor. Poderá ter ainda o nome de nação (nisbah) que designa a origem ou o partido político de seu portador e ainda o sobrenome (laqab) que descreve a qualidade física ou moral do portador. China e Japão No fim do século IV a.C, o nome da família permanece o individual. Na China havia também o nome do nascimento (leito), o nome da Escola, O nome do casamento (16 anos) e o nome oficial quando havia para este ato um exame público. No Japão, há quase uma cópia dos costumes chineses. No final da era Meiji, o uso da família era limitado às pessoas ricas e foi considerada a "idade divina’’ sendo usado muito o nome da localidade de origem das pessoas. O sufixo –hito (" benevolência") era usado pela família imperial japonesa. Brasil e Portugal (Angola, Macau e Moçambique). Os países de língua portuguesa, e principalmente o Brasil, sede do governo português em 1808, com Dom João VI e posteriormente com seus filhos Pedro I e Pedro II, usaram as normas legais e usuais das tradições lusitanas em seus domínios e colônias. Portugal, sendo um país que foi colonizado e invadido por diversos povos, teve uma identidade cultural e legal após o ano de 1200. Romanos, Godos, Visigodos, Alamanos, Árabes e outros invasores dominaram e deixaram um laço cultural extenso na terra de Camões com um grande cadeamento de costumes, folclores, língua e principalmente uma genética diversificada em todo povo lusitano. Como houve um incentivo de imigrantes europeus para o Brasil, após o ano de 1820, para haver um branqueamento de toda população e para uma ocupação de espaço do imenso território brasileiro, inúmeros germânicos, italianos, espanhóis, poloneses, russos, ingleses, portugueses, japoneses e de outras nacionalidades se fixaram no Brasil, trazendo seus costumes, seus nomes e principalmente seus sobrenomes familiares. Em virtude deste fato, no Brasil, são encontrados nomes e sobrenomes de praticamente todos continentes e países, mas com visível predominância de sobrenomes europeus. Na Itália, nos dias atuais, 280 mil sobrenomes denominam mais de 56 milhões de italianos. No Brasil, não há estatística oficial e levantamento técnico de todos os sobrenomes do povo brasileiro, mas estima-se que este número poderá ser duplicado em relação ao número da Itália. Possivelmente mais de 500 mil sobrenomes compõem a lista da população brasileira. O Sobrenome como Palavra Todos os objetos no universo possuem um nome e o sobrenome familiar também faz parte da lista das palavras de um dicionário. Como existem diversas línguas e dialetos em todo o planeta, os nomes e sobrenomes das pessoas são os reflexos e o resultado direto da fala de cada povo. A língua é a reunião de palavras naturalmente sistematizadas, com as quais um povo se exprime, falando e escrevendo e os sobrenomes de família são os componentes que o povo identifica e nomeia seus semelhantes. Através da linguagem glótica (oral) ou gráfica (escrita) temos a faculdade racional de expressar os nomes e os sobrenomes das famílias como palavras existentes no léxico, que é o conjunto de palavras que formam um idioma. A fonia de cada som do nome e do sobrenome tem influência marcante na vida e na história de cada indivíduo. Os nomes e sobrenomes poderão ser analisados tanto na forma quanto no conteúdo. A forma do nome ou sobrenome possui um som distinto. Analisamos também a anatomia do nome e sobrenome nos aspectos do prefixo, sufixo e da vogal final. Podemos analisar ainda toda formação do nome nos componentes de proposições e dos nomes compostos, duplos, triplos e assim por diante. Há ainda o estudo dos nomes e sobrenomes toponímicos, que são derivados do nome de uma localidade, dos nomes de profissões, dos nomes patronímicos, nomes comuns ou próprios e nomes por qualidade. Ainda temos que considerar os nomes por composição do nome de batismo (Marcantonio) e pelos sobrenomes (Bellomo, Beckhauser). Estas composições poderão ser determinadas por verbos e substantivos, imperativos, vocativos e outras formas gramaticais. Existe ainda a condição social, religiosa ou familiar do sobrenome como, por exemplo: Papaleone, Papandrea, Notaristefano e Mastroianni. A possibilidade da transformação do nome em virtude da constante mutação das palavras escritas e faladas é outra possibilidade estudada. Os registros em igrejas e nos cartórios sofrem alterações e muitas vezes escrevem um sobrenome como se pronuncia (fonia) e deveria ser soletrado este nome, pausadamente. Há erros na grafia de muitos nomes e sobrenomes de familiares, originando variantes que possuem a mesma origem histórica e genealógica. Um exemplo de aglutinação de uma palavra é o sobrenome Lobello que é originário de Lo Bello. Existe ainda a possibilidade inversa, da deglutinação. Por exemplo, Existem ainda os usos das formas dos dialetos que poderão ser estudados para descobrirmos as origens de alguns nomes. E para finalizar, analisamos a gramática histórica (sistematização orgânica dos fatos da língua desde a sua origem até nossos dias, considerando a evolução, as causas e processos) e a transformação dos nomes e sobrenomes. Na análise do conteúdo poderá ser o seu significado restrito ou amplo e principalmente qual a sonoridade do nome e do sobrenome. Desta forma poderemos decifrar qual a mensagem etimológica deste nome e sobrenome que denomina a pessoa Este é um estudo divertido e instrutivo. É gratificante e enriquecedor saber se um dos nossos antepassados foi magro ou gordo, falante ou tímido, branco ou negro, europeu ou asiático, bárbaro ou gentil, religioso ou ateu, militar ou civil, professor ou aluno, trabalhador ou poeta, comerciante ou lavrador, cantor ou pastor, pintor ou funileiro, marinheiro ou lenhador e assim por diante, com inúmeras possibilidades e descobertas. Publicado por Beckhauser em 14/04/2008 às 10h03
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